O “garoto” linha dura não é parente da sábia ermitã Tia Zulmira (ex-condessa prussiana e ex-vedete do Moulin Rouge), nem do distraído Rosamundo, nem do mau-caráter Primo Altamirando, mas não deixa de ser um dos outros tantos brilhantes personagens de Stanislaw Ponte Preta.
Os temas perpassam por assuntos do dia a dia, que são transformados por Stanislaw em literatura de primeiríssima: transplante de coração, abandono da cidade, minorias sexuais, mulheres sedutoras, férias etc.
Na primeira crônica, o “garoto” quebra a vidraça de casa e culpa o vizinho, chamando-o de subversivo. Já na última, os militares aparecem explicitamente em seu ridículo. Um homem tem pesadelos porque os militares ocupam todos os cargos civis, mas acorda às gargalhadas ao ver na porta de uma boate o anúncio de show de striptease com o major Pereira.
Com o talento de sua pena, Lalau transforma repressão em humor, criticando um sistema que começava a instalar a censura. Um trabalho incansável, que não poderia ter em Jaguar o seu melhor cúmplice e ilustrador.
Com Garoto linha dura, a Agir dá continuidade à publicação integral destes autores impagáveis, Stanislaw Ponte Preta e Sérgio Porto. Não necessariamente nessa ordem.
ISBN 978-85-220-0741-7
Páginas: 208


